Hospital Dr. Walter Strangway: acompanhantes confeccionam alimentos para doentes num matagal

Os acompanhantes dos pacientes internados no Hospital Provincial do Bié, Dr. Walter Strangway, recentemente inaugurado pelo Presidente da República João Manuel Gonçalves Lourenço, passam as noites ao relento e preparam as refeições para os seus familiares doentes num matagal localizado próximo ao hospital.

Os cidadãos que passam por essa dificuldade são na sua maioria aqueles que chegam de outros municípios da província do Bié para acompanhar a assistência médica e medicamentosa que é dada aos seus familiares e parentes. Além de cuidar da alimentação dos seus doentes também precisam ficar por perto para comprar medicamentos ou obter dos enfermeiros informações sobre do estado clínico dos seus parentes.

Os acompanhantes que falaram aos microfones da Rádio Cuquema temem pelo pior porque dentro de algumas semanas as chuvas começam a cair intensamente sobre o município do Cuito.

“Chego aqui no hospital para ver o meu doente, dizem que a mamã não pode entrar com a sua bagagem, a bagagem não entra no Hospital, tens que ir lá onde fazem a comida. Até ver os doentes não estão a nos admitir…”, desabafou a dona Anabela, que saiu de Catabola para a cidade do Cuito.

Outro acompanhante que falou à nossa reportagem é o senhor António. Reside no município do Cunhinga e se encontra no Cuito desde segunda-feira (14). Passa as noites sobre caixas papelão que estende na brita. Diz que só lhe é permitido o acesso ao Hospital quando vem uma enfermeira com a lista, caso o seu familiar se encontre em estado grave, solicitando a sua presença. “Nós assim cozinhamos e às tardes nos dirigimos ao quintal do Hospital para passarmos a noite mas somos tirados de lá para passarmos mesmo as noites aqui onde cozinhamos, só que lá agora se o doente estiver grave é quando vem uma enfermeira com a lista, a perguntar, quem é o fulano de tal?”, lamenta.

A par destes acompanhantes, o senhor Horácio também passa pelas mesmas dificuldades e lamenta o facto de estarem a confeccionar os alimentos próximo de uma lixeira, o que segundo este, pode ser uma potencial fonte de contaminação de malária para os doentes internados no Hospital. “O tempo de Chuva vem aí. Eles deviam nos organizar um sítio, onde nos meter… agora nos meteram aqui na lixeira, nós aqui vamos apanhar malária para levar no Hospital, ou viemos para nos curar ou para apanhar doenças”.

Em reacção, o activista e docente universitário Cruz de Deus questiona se não havia no projecto arquitectónico do Hospital um alpendre para acomodar os familiares dos pacientes, sendo este moderno. Declarou também que essa situação é própria de quando se inauguram obras inacabadas com fins de campanhas eleitorais. O activista lançou um desafio à Inspeção Geral da Administração do Estado ( IGAE) para que comece já a investigar as denúncias dos acompanhantes que falaram à Rádio Cuquema.

A reportagem da Rádio Cuquema apurou que existe uma casa de acompanhantes no Hospital, porém pequena e sem condições dignas para a acomodação. Entretanto, a nossa fonte no mesmo Hospital, confidenciou que se pretende construir um alpendre para acudir a demanda e fez saber que não se construiu uma casa de acompanhantes maior para evitar que alguns cidadãos fizessem desta a sua residência.

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