Cunje: acusação de prática de feitiçaria leva cidadãos a queimarem a residência de uma família

Segundo relatos dos vizinhos da família lesada, ontem  por volta das 11 horas, um grupo de jovens chegou ao bairro Caquelewa e começou a romper as paredes com o objectivo de destruir a moradia do cidadão acusado de práticas de feitiçaria. Na altura na residência se encontravam apenas crianças que foram prontamente salvas pelos vizinhos. Segundo estes, os jovens que destruíram a residência, queimaram e venderam partes dos haveres da família têm grau de parentesco com o cidadão acusado e frequentavam a sua casa.

O cidadão acusado contou à reportagem da Rádio Cuquema que tudo começou depois da reunião  que o regedor comunal do Cunje manteve com os residentes do bairro Caquelewa, na ombala, onde lhes informou que todos estavam “amarrados” e cada um deveria dar ao soba o valor cinco mil kwanzas.

“Assim que chegamos na regedoria comunal nos disseram para ir no quimbandeiro. Postos lá, o quimbandeiro fez um ritual que desconheço e de seguida disse você é mesmo feiticeiro e estás a matar as pessoas do bairro. Me tirou a camisola e começou a me dar surra” contou o cidadão acusado à reportagem da Rádio Cuquema.

Durante o episódio de agressão, o quimbandeiro entrou  em contacto com o regedor comunal a dizer que o feiticeiro estava a reclamar. Este por sua vez ordenou que se aumentasse a intensidade dos espancamentos.

A casa do cidadão,  onde residia com a esposa e os 11 filhos, ficou completamente destruída. Os vândalos derrubaram também os anexos e o muro,  com catanas cortaram as chapas de zinco que serviam de teto da casa e queimaram os pertences da família que não puderam roubar para vender no mercado informal.

O soba da regedoria comunal do Cunje, em sua defesa diz que procedeu desta forma depois de receber denúncias e queixas da população que davam conta que no bairro Caquelewa existia um feiticeiro que estava a matar os moradores.

 

 

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